domingo, março 01, 2015

Twilight zone

Lembro-me de alguns fragmentos até a hora em que estávamos na casa cinza ao lado do cemitério - quase como a que 'ele' disse morar quando guri. Saímos de lá e caminhamos até o shopping. Ele era loiro, mas não consegui gravar o rosto, a não ser a vaga ideia de que era muito bonito e que estávamos juntos. No meio da escada rolante ele me pegou pela cintura e começamos a nos beijar indiscreta e desesperadamente. Caímos no chão, na entrada do restaurante, e não parecíamos nos importar com nada, até um dos garçons chamar nossa atenção. Olhamos ao redor e todas as mesas estavam ocupadas. Nos ofereceram um lugar bem ao fundo. Whatever. Sentei ao lado da parede e ele foi até o banheiro. Eu logo fui atrás. A little bit of the good old in-and-out e voltei para a mesa. O lugar ao meu redor se reconfigurou. Não haviam mais pessoas no restaurante, então me prontifiquei a arrumar a mesa sozinha. Ele demorou pra voltar e corri até o single toilette room, onde havíamos ‘consumado o ato’. Apenas uma cadela preta, e aparentemente doente, jogada no chão - na minha cabeça eu sabia que era ele ali. Pensei comigo que tinha pego no sono, mas quando cheguei perto, a cadela gemia. Então notei que ela estava dando a luz. Logo apareceram dois pequenos filhotes, um albino e outro preto. Limpei as mãos na calça e os coloquei próximos ao focinho da cadela apática, para que ela pudesse limpar o sangue. Eles não estavam respirando e quando aproximei o albino dela, ela o mordiscou. Uma segunda tentativa e ela finalmente abocanhou o seu focinho rosado. Em pouco tempo o senti morrer na minha mão, sem fazer um barulho ou sequer sangrar. O pretinho continuava jogado no chão, úmido e letárgico.
Sentei ao lado da cadela e a contemplei sem saber o que fazer… “Meu amigo enlouqueceu.”

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Some feelings are a guess in life, but love is the bullet in a russian roulette game


À título de registro, fui obrigada a buscar o primeiro pedaço de papel que vi na frente e anotar a hora e a data exatas do instante em que, depois de tanto suor frio e ranger de dentes, eu me entreguei. Seria medíocre se eu tivesse caído de joelhos e feito alguma declaração cafona, tentado roubar um beijo no meio do silêncio contemplativo ou largado uma indireta da pedreiragem. Mas foi um sentir calmo e sutil entre a boca do estômago e o coração, claro de mais  pra ser perdido ou confundido com esses impulsos. Segurando o cigarro entre os dentes e a cerveja na mão, eu sorri.

Foda que no final das contas eu perdi o papel e não me lembro mais a hora exata, nem o instante preciso em que isso aconteceu. Contento-me apenas em saber...

quarta-feira, fevereiro 18, 2015

All that I can never have is all I could ever wish for



I'm willingly stuck in this ridiculous game of imagination, because, for the first time in years, I can't seem to read the truth. Or maybe I'm just afraid to realize the truth is actually not what I want.

sexta-feira, janeiro 02, 2015

Let me see you stripped down to the bone

 Ulrike demans cuddles, I shall give her cuddles.

sábado, dezembro 13, 2014

TPM DRAG RACE

(Escolhendo o outfit)
(Esquenta na casa dos boy com a tia Zoraide na viola)
(Avacalho na foto, avacalho na vida)
(Partiu rolê com Pablo, Charmonique - um pouco de charme, muito de Monique, Jéssica e Zoraide)
(Bá, Pâ, Al e minha gata manhosa)
(Achei na encruzilhada)
(Chicleteros)
(O que importa é a riqueza interior)
(Dancing and singing in the rain <3 p="">
(Horror Lolita Kei e divas)
(Melhor é a reação quando se tocou que conhecia essas moças)
(Daquelas festas que os caras esperam o ano todo pra poderem realizar seus reprimidos desejos de usarem vestidos, maquiagem e cabelos compridos)
(My anaconda don't)
(My anaconda don't want none unless you got another anaconda)
(Charmonique: the original diva da depressão)
(Gatchinhas cremosas do tio <3 p="">
(Julio, Charmonique e a rainha do mofo, da sucata e da bijoux folhada em ouro)
(Divas da rua!)
(Aaaaaaaloka)

terça-feira, setembro 30, 2014

O que me resta

Há quase três anos resolvi voltar pra baixo das asas dos pais, fugida, como sempre, com medo de encarar uma realidade a qual descobri não curar com a distância, nem com o tempo. A realidade de que cresci, de que devo responsabilidades que vão além do próprio umbigo. A sobrevivência nunca me bastou. Perdi o gosto pelas coisas simples da vida e durante todo esse tempo busquei reconstituir um cenário fantasioso onde o prazer era a maior das riquezas a serem conquistadas. Perdi o chão, perdi o desejo e o motivo. Viagens, roupas, sapatos, festas, sexo, cigarros... Paredes estranhas, corpos desconhecidos. Nada pareceu preencher o vazio ao qual me entreguei, no desespero da insegurança. Neguei minha natureza até cansar de fugir do bicho que me perseguia. Neguei precisar de alguém até a solidão apertar em todo ser, até descobrir que não há destino. Não há pra onde escapar. Não há quem culpar. A dor é sábia e necessária. É o que me resta enquanto não aceitar a vida que criei às custas da incerteza que tanto prezei. Sou um vulto que reverbera entre a multidão, desconhecido e ignorado. Gato de rua em busca de um colo pra se perder, um leito por onde escoar tudo aquilo que se esconde por baixo da pele.

Na dor eu me afirmo. Hoje eu luto.

quarta-feira, setembro 17, 2014

Filth

Myself as the third element
Myself as the uninvited fly, buzzing around their bodies
Listening to a complicity of feelings I wont ever belong to
Feelings I don’t even care to make part of
Myself as a servant of alien lust
Diminished to a house pet by the door, as they talk frivolities to my forgotten presence
Myself as the passive watcher of a world I once longed for
Lost in total neglect of desire
Pretending joy and welcoming arms around their intimacy
Myself as the expecting blade behind their back
Ready to pierce the pale cloak of their perishing grace
Baring the shameful and humiliating position of a mere acessory, in order to enrich my depraved fantasies, long buried inside a dark place called sanity

sábado, agosto 23, 2014

segunda-feira, agosto 04, 2014

"Love happens only once"

 
 

Existe uma certa delicadeza na perversão dos olhos que te devoram. E à essa exposição visceral de intimidade, eu alcunho arte.

The walls wisper forgotten intimacies



Com a idade, perdeu o pudor. As curvas úmidas, rosadas e proibidas, tornaram-se parte de um todo que a unia dos pés, às mãos, joelhos e cotovelos. Ela permitiu ser para si e para o mundo o que antigamente estava reservado aos olhos de seus amantes. Ouviu que "vulgarizações" a tornariam menos desejada, menos respeitada. Sentiu doer o orgulho de quem buscava independência e não sabia em quem se apoiar. Resgatou em seu próprio corpo um sentimento simples de liberdade e natureza. Não haviam extravagâncias em seus desejos, apenas a vontade de ser o que se é... um bicho. Mas mesmo bicho sentiu latejar na carne o desejo que não se limita aos instintos... Ela sente... sente tanto que, entre noites em claro procurando defender sua identidade, lembra que existe amor de baixo de toda pele que anseia. Ela lembra que em todo esse esforço, existe um grito de solidão.

Não há pra onde fugir... Tu amas... e sabes que somente no amor há razão para ser livre.